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Uma História Velha Com Cara de Novinha: as investigações que cercam Furlan e Luciana Gurgel

  • há 7 horas
  • 2 min de leitura

Luciana Gurgel — cujo sobrenome remete à oligarquia que atua há quase 40 anos no Amapá, da época do falecido Aníbal Barcelos — é o elo que fecha o círculo de investigações na chapa de Furlan.



Candidata a vice-governadora ao lado de Antônio Furlan, Luciana já foi alvo da Polícia Federal sob suspeita de rachadinha. O marido dela, Vinícius Gurgel, responde a inquéritos no STF, e o próprio Furlan chegou a ser afastado da Prefeitura de Macapá em operação que apura desvios na saúde.


Em abril de 2022, quando ainda era deputada estadual, Luciana teve o nome incluído na Operação Double Crack, da PF, que mirava rachadinha, lavagem de dinheiro e fraudes em licitação na Assembleia Legislativa do Amapá. Na ocasião, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão contra dois deputados e seus assessores. As suspeitas apontavam desvios de cerca de R$ 7,4 milhões, desde 2019, com a devolução de salários de servidores. A residência e endereços ligados ao mandato de Luciana foram alvo das diligências.


Da vice ao núcleo da chapa



O caso não é isolado. O marido de Luciana, o deputado federal Vinícius Gurgel — presidente do PL no Amapá e articulador da aliança — foi alvo, neste ano, da Operação Pedágio 2, que investiga desvios em obras da BR-156. Uma das buscas ocorreu na casa do parlamentar. A apuração envolve organização criminosa, corrupção e fraude em licitações, e Vinícius também é investigado no STF por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.


Furlan, por sua vez, entrou na campanha sob investigação. Em março, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou seu afastamento da Prefeitura de Macapá por 60 dias, em razão de suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas ao Hospital Municipal. A decisão autorizou buscas e quebra de sigilo bancário e fiscal. Ele renunciou no dia seguinte.


PF bateu à porta de diferentes lados



A Double Crack apurava um esquema em que assessores devolviam parte ou todo o salário a parlamentares. Pelo menos 33 servidores estavam na mira, e o valor mensal desviado poderia chegar a R$ 154 mil. A operação também investigou superfaturamento no aluguel do prédio da Escola do Legislativo.


Os investigados poderiam responder por peculato, corrupção passiva, organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Vale lembrar: operação policial, busca e investigação não equivalem a condenação. A reportagem não localizou informação pública conclusiva sobre denúncia, absolvição ou arquivamento do caso de Luciana.


Ainda assim, o dado político permanece: a candidata a vice de Furlan não está apenas cercada por investigados — ela mesma já foi alvo da PF.


Na chapa de Furlan, as investigações não ficam na periferia: atingem o candidato, a vice e o principal articulador político da aliança.


*Imagem de Furlan e Luciana Gurgel envelhecida por IA

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