POR QUE A CULTURA ESCOLHEU CLÉCIO?

*Por UrnaNorte
Zé Miguel, Amadeu Cavalcante, Osmar Júnior, Val Milhomem e Joãozinho Gomes.
Juntos, formam o grupo Costa Norte. Para os amantes da música nacional, talvez esses sejam nomes ainda pouco conhecidos.
Mas, no Amapá, eles representam a espinha dorsal do que consumimos como música popular da região. Ao fim da década de 80, através de obras como Sentinela Nortente, ajudaram a definir o que seria a identidade cultural amapaense.
Ora, pois se o estado tão jovem era, tão necessária era a poesia que o demarcasse, que o afirmasse como sujeito para além de paisagem. E coube a esses nomes desbravar as sonoridades que nos dariam forma: influenciadas pelas batidas de marabaixo, pelos ritmos guiano-caribenhos e cadências indígenas.
Talvez mais importante ainda, como bem mencionou minha mãe uma vez: eram os galãs locais, arrastando corações nos eventos culturais tucujus.
Um nome ilustre os reuniu, já há algumas décadas. Atuando como produtor do Movimento Costa Norte, um dos maiores incentivos para o retorno aos palcos é notório: Clécio Luis.

Clécio é, atualmente, o governador do Amapá.
Um dia desses, encontrei sua mãe.
Já a conhecia por fotos e relatos, um evento ou outro em comum. Professora de carreira, Dona Ana tem a aura austera de quem demanda disciplina com o olhar.
Era 5 de outubro de 2025. Encerramento da 3ª Folia Literária do Amapá - um evento do Governo do Estado. A programação cultural era extensa, destacando, além de Arnaldo Antunes, o grupo amapaense supracitado em minha introdução.
Como já virou costume nos shows gratuitos pela cidade, a população já tinha levado suas cadeiras de praia para acompanhar, de perto, seus músicos favoritos. Não lembro se Dona Ana trouxe sua cadeira ou se a ofereci uma minha, mas ao início das apresentações estávamos sentados lado a lado.
Minha própria mãe também sentava comigo, e, juntos, ao som do Costa Norte, tivemos um dos momentos mais catárticos que já tive em experiências musicais. Uma apresentação apoteótica, embalada pelo coro de uma plateia emocionante. Eu desafio qualquer amapaense a ouvir “Jeito Tucuju” nesse cenário e não ir às lágrimas. O clima era de consagração. Dos artistas, do lugar, das pessoas.
À metade da performance, os cantores pararam para contar sobre o envolvimento de Clécio, antes de sonhar em ser político, na trajetória do grupo. Agradeceram-no solenemente. Ao que virei para Dona Ana e indaguei: “Nessas horas deve dar muito orgulho do seu filho, não é?”.
A feição severa, que já disfarçava entretenimento contido, se abriu, ensolarada, em um enorme sorriso. Sorriso daquele que chega aos olhos, que me fez ver além da mãe do governador.
Ali estava uma docente musicista, que criou a família em meio à instrumentos musicais artesanais, para quem o envolvimento com a cultura não era opcional, era senso de si. Que, ao ser perguntada sobre os filhos, respondia com o júbilo de uma criança que mostra ao pai, animada, o desenho novo que acabou de fazer.
“Eu tenho muito orgulho dele”, exclamou. “Ele e a irmã sempre fizeram muito pela cultura e é muito bonito de ver. Ele que juntou esses músicos!”, disse ela, ecoando o agradecimento dos artistas. Trocamos mais algumas palavras sobre os feitos do gestor e a parabenizei, retribuindo o sorriso com sinceridade.
A “irmã” é Clícia Di Miceli, secretária de cultura e geógrafa que, esse ano mesmo, publicou um artigo sobre as influências culturais que permeiam o território fronteiriço a que pertence o Amapá. Mas essa não seria a maior conquista de Clícia. Afinal, Dona Ana tem razão: o trabalho feito pelos filhos no que diz respeito às artes tem adesão quase unânime.
No mesmo evento, Clícia discursou sobre a cultura como prioridade da gestão. Relembrou a decisão que tomaram de infundir as manifestações populares integralmente nas ações institucionais. Ainda na prefeitura, toda grande entrega era celebrada por um grupo de marabaixo, por exemplo.
Mas no governo, o êxito foi maior e concreto. A gestão criou o "Circuito das Artes", um edital permanentemente aberto que garante o pagamento de cachê pelo Estado para artistas convidados a se apresentar em outros municípios, em outros estados ou até fora do país.
Entendendo que a realidade do artista da capital é diferente da de quem vive nos interiores, o programa "Gestão Cultural na Estrada" promoveu escutas ativas pelos municípios. Como resultado, grandes eventos como a Expofeira passaram a ter vagas obrigatórias e ajuda de custo de deslocamento exclusivas para artistas do interior e de zonas rurais.
A valorização também foi feita olhando para o futuro: foi desenhado o Plano Estadual de Cultura, um documento construído a várias mãos que estruturou o sistema, o conselho e o fundo estaduais, garantindo uma ferramenta norteadora para as políticas culturais dos próximos dez anos.
Hoje, no instagram de Clécio, foi publicado um vídeo de campanha em que o Movimento Costa Norte, entre vários outros agentes culturais de renome, pedem apoio para a reeleição do gestor. O setor inteiro escolheu o seu lado, pois sabe que além da necessidade de continuidade do trabalho, na oposição há um candidato que, se vencer, regredirá os avanços.
Das críticas a serem feitas à atuação do governador, poucas se aprofundam no que diz respeito às manifestações da arte amapaense. Há de se reconhecer um trabalho árduo que só poderia ser feito por quem vem, desde cedo, do movimento cultural, de um berço musical, de quem vê o Amazonas e sabe transbordar de tanto amor.
Não posso dizer que sou totalmente fã do governador Clécio. Mas para o filho de Ana, irmão de Clícia, que conseguiu juntar os maiores nomes da música amapaense - não apenas em seu apoio - mas em celebração da nossa cultura… Talvez seja bom dar mais uma chance.
*UrnaNorte é uma iniciativa de comunicação nortista focada no protagonismo amapaense











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