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Jornal revela a nova fronteira do ouro no AP com apoio do PCC e do Comando Vermelho

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Reportagem da Folha de São Paulo revela que garimpeiros expulsos da Terra Yanomami migraram para o estado mais preservado do país, abrindo mais de 300 km de estradas clandestinas com o apoio do PCC e do Comando Vermelho



O Jornal Folha de S.Paulo publicou, nessa sexta-feira, 10 de julho de 2026, uma reportagem que expõe a grave crise socioambiental no Amapá, transformado na nova rota do garimpo ilegal na Amazônia. Segundo a publicação, criminosos expulsos da Terra Indígena Yanomami e de Mato Grosso migraram em massa para o estado, impulsionados pelo alto preço do ouro e pela atuação de facções como o PCC e o Comando Vermelho.


A reportagem da Folha afirma que o Ibama já identificou mais de 300 quilômetros de ramais clandestinos abertos na floresta para o tráfego de máquinas pesadas. O coordenador do Grupo Especial de Fiscalização do Ibama, Felipe Finger, disse ao jornal que esse nível de investimento "só é possível com o alto preço do ouro" e que, "fora desse patamar, não tem como eles fazerem esse nível de investimento".


A rota da destruição, segundo a Folha


O jornal destaca que o fenômeno da migração é um efeito direto da pressão fiscalizatória em outras regiões. De acordo com dados do Greenpeace citados pela reportagem, a atividade garimpeira na Terra Yanomami registrou uma redução de 95,18% em 2025, após a crise humanitária causada pela devastação das florestas e contaminação dos rios por mercúrio.



Finger explicou à Folha que a desintrusão na área Yanomami resultou primeiro na migração dos criminosos para o território Sararé, em Mato Grosso. "Notamos essa migração, mais precisamente no ano passado, que coincidiu com os trabalhos de intensificação de fiscalização na Terra Indígena Sararé", afirmou o coordenador ao jornal. De lá, expulsos novamente, os garimpeiros seguiram para o Amapá, chegando a pressionar até o Parque Amazônico, na Guiana Francesa.


A Folha menciona ainda que, em 2025, entrou em vigor um acordo entre os presidentes Lula e Emmanuel Macron para ampliar as ações de combate ao garimpo ilegal na fronteira com a Guiana Francesa, por meio do programa Ouro Alvo, da Polícia Federal.


A atuação das facções criminosas


A reportagem da Folha revela que o mercado clandestino do ouro atraiu o PCC e o Comando Vermelho, que passaram a operar e expandir suas atividades ilegais na Amazônia, com atuação também em países africanos, como Sudão e África do Sul. Investigações da Polícia Federal e do MPF apontam, segundo o jornal, que parte expressiva do ouro extraído da terra Yanomami alimentava o mercado nacional e internacional, chegando à Europa, Ásia e EUA.


Operações de fiscalização e gargalos logísticos


A Folha informa que só em 2026 o Ibama realizou seis operações contra o garimpo ilegal no Amapá. Em maio, a operação Calha Norte destruiu sete escavadeiras hidráulicas, dois tratores, três quadriciclos, dezenas de motores e acampamentos clandestinos, além de descartar 3.300 litros de diesel. Em outra fase da operação Domo Amazônico, foram destruídos 31 acampamentos e descartados 14.250 litros de diesel e 350 litros de gasolina.



O jornal destaca, no entanto, um grave gargalo: quinze pessoas foram detidas, mas liberadas por falta de condições logísticas para o transporte até uma delegacia. Segundo a reportagem, as aeronaves utilizadas nas operações têm lotação limitada, o que inviabiliza o transporte de número elevado de passageiros. Em um dos pontos de apoio do crime, foram apreendidas 441 unidades de explosivos, evidenciando a escalada de violência na região.



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