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Irmão de ex-prefeito usou chave bancária da Prefeitura para pagar R$ 3,3 milhões horas após afastamento

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

José Furlan Neto, irmão do ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan e então secretário municipal de Governo, utilizou uma chave bancária da Prefeitura para autorizar pagamentos que somam R$ 3.313.568,57 no próprio dia em que a gestão anterior foi afastada por determinação judicial do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. As transações ocorreram poucas horas após a posse do prefeito interino, sem qualquer autorização da nova gestão, conforme documento enviado pela Procuradoria-Geral do Município à Polícia Federal e aos autos da investigação.


Os pagamentos foram direcionados a duas empresas: M2 Comunicação Ltda., no valor de R$ 819.330,69, e Top Construções e Serviços Ltda., no montante de R$ 2.494.237,88. Segundo as apurações, o primeiro contrato teria sido utilizado para remunerar blogs, portais e influenciadores digitais que promoviam a gestão afastada e atacavam adversários políticos e a própria decisão judicial. Já o segundo pagamento apresentou inconsistência entre o valor pago e as horas de maquinário que justificariam a despesa, indicando possível incompatibilidade com a realidade operacional do município.


O contexto narrado pela atual gestão e pela Polícia Federal aponta múltiplas irregularidades: notas fiscais emitidas na véspera ou no próprio período de transição, liquidação acelerada de despesas, ausência de conferência ordinária e uso de credencial bancária por agente vinculado ao núcleo político da gestão afastada. José Furlan Neto, que além de secretário municipal é irmão de também do promotor afastado do Ministério Público do Amapá por suspeita de corrupção eleitoral nas eleições de 2020, integrava ao lado do irmão e do vice-prefeito Mario Rocha de Matos Neto o principal núcleo político responsável pela movimentação financeira do município de Macapá.


Os fatos descritos nos autos podem configurar, em tese, os crimes de peculato, fraude em contratação pública, desobediência a ordem judicial, embaraço à investigação e lavagem de capitais, conforme destacou a Polícia Federal em sua representação. As investigações seguem em andamento, com a análise dos aparelhos celulares apreendidos e a verificação das movimentações financeiras, enquanto o afastamento dos agentes públicos envolvidos foi prorrogado pelo STF até o total esclarecimento dos fatos.

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