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Temendo nova operação da PF, vereador Alexandre Azevedo entrega celular para perícia e levanta novos questionamentos

3 de ago.
2 min de leitura

O vereador Alexandre Azevedo apresentou à Justiça uma petição na qual afirma colocar voluntariamente seu aparelho celular à disposição para a realização de uma “nova” perícia técnica, caso o Judiciário considere necessário. No documento, o parlamentar sustenta que, por estar colaborando espontaneamente com a investigação, não haveria necessidade de eventual operação de busca e apreensão em sua residência.


A manifestação, protocolada em 1º de agosto, ocorre em meio ao avanço da ação penal que apura supostas fraudes no protocolo da Câmara Municipal de Macapá relacionadas ao registro da renúncia do então prefeito Antônio Furlan.


A iniciativa, porém, reacendeu uma série de questionamentos. Alexandre Azevedo foi justamente uma das pessoas que, ao lado da então procuradora-geral do Município, Ana Diandra Fontoura Moreira, protocolou, na manhã de 5 de março, o pedido de renúncia de Antônio Furlan na Câmara de Vereadores.


Na representação apresentada pelo próprio Furlan — que deu origem ao procedimento investigatório do Ministério Público — foram anexadas supostas gravações em vídeo e áudio envolvendo Alexandre e Diandra registradas exatamente no momento do protocolo da renúncia.


Entretanto, esses aparelhos celulares jamais foram submetidos à perícia oficial. Segundo consta dos autos, os vídeos utilizados na investigação foram encaminhados por e-mail pela advogada Amanda Figueiredo, circunstância que passou a ser apontada por advogados e especialistas como possível quebra da cadeia de custódia da prova digital, já que o material não teria sido extraído diretamente dos dispositivos originais.


Esse aspecto ganha relevância justamente porque Alexandre afirma agora não ter qualquer objeção à realização de nova perícia em seu telefone. Na petição, o vereador afirma não possuir "absolutamente nada a ocultar", reafirma seu compromisso com a elucidação dos fatos e requer apenas que eventual exame seja acompanhado por ele ou por assistente técnico. Também argumenta que uma operação policial poderia causar danos à sua imagem pública, por exercer mandato de vereador e ser pré-candidato a deputado federal.


A cronologia, entretanto, levanta uma indagação inevitável. Se Alexandre Azevedo sempre esteve disposto a entregar espontaneamente o aparelho celular para exame pericial, por que essa manifestação somente foi apresentada agora, meses após o início das investigações, justamente quando cresce a possibilidade de medidas cautelares, como busca e apreensão, para preservação de provas?


Outro detalhe chama atenção. A petição é assinada pelos advogados Juracy Barata Jucá Neto e Rogério Santos Vilhena, ambos integrantes da equipe jurídica que atuava na Prefeitura de Macapá durante a gestão de Antônio Furlan.


Enquanto isso, a denúncia oferecida pelo Ministério Público atribui às servidoras denunciadas a existência de provas produzidas por registros audiovisuais, laudos periciais e outros elementos colhidos durante a investigação. O vereador Alexandre Azevedo e Ana Diandra Moreira aparecem no rol de testemunhas indicado pelo próprio Ministério Público para instrução da ação penal. Caso o Judiciário determine a realização de perícia diretamente nos aparelhos celulares utilizados no dia 5 de março, o exame poderá esclarecer definitivamente se os registros encaminhados por e-mail correspondem integralmente aos arquivos originais, preservando ou afastando dúvidas sobre a autenticidade, integridade e cadeia de custódia das provas digitais que sustentam parte da investigação.

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