A Reconfiguração do Poder: Waldez se alia a Furlan para tirar DaLua da Prefeitura e derrotar Davi

A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Macapá, marcada para esta sexta-feira, 9, deixou de ser uma simples disputa pelo comando do Legislativo. O que está em jogo é a formação de uma nova correlação de forças políticas na capital — e, no pano de fundo, uma disputa que alcança o Palácio do Setentrião e a sucessão de 2030.
De um lado está Pedro DaLua, do União Brasil, atual presidente da Câmara e candidato à reeleição. Do outro, o vereador Marcelo Dias, que protocolou uma chapa que reúne nomes de diferentes campos políticos. Ex-presidente da Câmara, encabeça a chapa com Bruno Igreja, na 1ª vice-presidência, líder do grupo Furlan na Câmara, e Alessandro Monteiro, do PDT de Waldez Góes, na 2ª Secretaria. A chapa informou ter reunido apoio formal de 13 dos 23 vereadores da Casa, número que, se confirmado no plenário, representa maioria absoluta.
E é essa composição que transforma a eleição em uma disputa maior.
A presença de um nome do PDT na chapa, somada à participação de vereadores ligados ao grupo de Dr. Furlan, revela o rompimento definitivo de Waldez com Davi e o seu retorno ao campo político de Furlan. Vale lembrar que Furlan, quando deputado estadual, foi líder de Waldez quando este foi governador do Amapá.
E o objetivo político desse movimento, segundo a leitura dos bastidores, não se limita à presidência da Câmara.
O controle da Prefeitura
A Câmara ganhou peso extraordinário depois que Dr. Furlan deixou a Prefeitura e o vice-prefeito Mário Neto também foi afastado por decisão do ministro Flávio Dino, do STF, no âmbito da investigação conduzida pela Polícia Federal. DaLua assumiu interinamente o Executivo municipal.
Agora, para participar da eleição da Mesa, DaLua foi temporariamente substituído pelo juiz Décio Rufino, que ficará à frente da Prefeitura entre os dias 7 e 12 de outubro.
Na prática, portanto, a eleição desta sexta-feira poderá definir quem terá o comando político da Câmara no próximo biênio e, consequentemente, o controle do Executivo municipal: Pedro DaLua, aliado de Davi, ou Marcelo Dias, aliado de Furlan e Waldez Góes.
O alvo maior é Davi?
É nesse ponto que a disputa municipal se conecta à política estadual. Furlan e Davi Alcolumbre chegaram às eleições de 2026 em lados opostos. O resultado das urnas alterou significativamente esse equilíbrio: Furlan foi eleito governador no primeiro turno, com 62,75% dos votos e com o apoio do bolsonarista PL, indicando a vice-governadora, Luciana Gurgel, integrante de uma das oligarquias mais longevas do Amapá.
A nova configuração fortalece Furlan no Executivo estadual a partir de 2027 e reduz o espaço político de Alcolumbre no Amapá. A eleição da Câmara de Macapá aparece, assim, como mais uma peça desse redesenho.
Waldez Góes também passa a ocupar uma posição diferente nesse tabuleiro. A reaproximação com o grupo de Furlan sinaliza uma mudança na arquitetura das alianças que dominaram a política amapaense nos últimos anos.
O movimento é ainda mais significativo porque Waldez chegou ao governo Lula para ocupar um ministério por articulação política de Davi Alcolumbre. Agora, sua aproximação com o grupo que derrotou o candidato apoiado por Davi no governo estadual indica que as alianças de ontem podem ser o fel de amanhã.
No xadrez do poder, as peças estão mudando de lugar. E, desta vez, a disputa pela Câmara de Macapá pode ser apenas uma parte de um jogo muito maior: a construção de uma nova hegemonia política no Amapá e o enfraquecimento do grupo de Davi Alcolumbre para os próximos ciclos eleitorais.











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