NO FIO DA NAVALHA: TSE retoma julgamento que pode cassar Furlan nesta quinta-feira (17); placar está 2 a 1 pela inelegibilidade
Quatro ministros ainda não votaram. Candidato ao governo do Amapá também responde a processo sobre renúncia na Prefeitura de Macapá e enfrenta A desidratação eleitoral por conta de suposta relação com o crime organizado.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma nesta quinta-feira (17) o julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) que pode cassar o mandato do ex-prefeito de Macapá e candidato ao governo do Amapá, Antônio Furlan (PSD), e torná-lo inelegível por oito anos.
O placar está 2 a 1 pela cassação. O relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, votou pela manutenção das decisões anteriores favoráveis a Furlan. Já os ministros Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha divergiram e votaram pela condenação por abuso de poder político e econômico e condutas vedadas durante o evento "Macapá Verão 2024", especialmente na inauguração da Arena Beiradão.
O julgamento foi suspenso em maio após pedido de vista do presidente do TSE, ministro Nunes Marques. Além dele, ainda faltam votar os ministros André Mendonça, Dias Toffoli e Antônio Carlos Ferreira.
Além da cassação dos diplomas de Furlan e do vice, o voto divergente defende nova eleição em Macapá e inelegibilidade por oito anos.
Segundo processo no TSE
Furlan também responde no TSE a um recurso sobre o registro de sua candidatura ao governo do Amapá, sob relatoria do ministro Dias Toffoli (processo nº 0600162-45.2026.6.03.0000).
O ponto central é a renúncia do ex-prefeito ao cargo em março de 2026. A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) manifestou-se pelo provimento do recurso do Ministério Público Eleitoral, que busca reformar a decisão do TRE do Amapá que deferiu o registro.
Segundo a PGE, a cronologia dos acontecimentos indica que a renúncia teve o objetivo de frustrar a aplicação da inelegibilidade prevista na Lei Complementar nº 64/1990, que alcança agentes políticos que renunciam após o oferecimento de representação capaz de provocar processo de perda do cargo .
Conforme o parecer, em 3 de março de 2026 o STF determinou o afastamento cautelar de Furlan do cargo por 60 dias. No dia 4 de março, às 12h15, foi protocolada na Câmara Municipal uma representação para apurar possível infração político-administrativa. Ainda no dia 4, às 17h15, Furlan assinou a renúncia, formalizada em 5 de março. A renúncia provocou o arquivamento da representação .
A PGE também destacou que, para o cargo de médico do Estado, Furlan afastou-se apenas em 4 de julho, último dia do prazo legal. Para a Prefeitura, a saída ocorreu cerca de um mês antes do limite de 4 de abril, o que, segundo a Procuradoria, reforça a tese de que o momento da renúncia foi escolhido deliberadamente .
Despencando nas pesquisas
Além dos dois processos no TSE, Furlan também enfrenta a desidratação nas intenções de voto. Na pesquisa Quest, o candidato aparecia com 55%; na Doxa, caiu para 50,8% — a mesma pesquisa que tentou impedir na Justiça dias antes de sua divulgação.
O motivo central são as denúncias de suposta relação com facções criminosas no Amapá. Reportagem da Record Nacional exibida em 10 de setembro mostrou vídeo em que o ex-candidato a vereador Luanderson de Oliveira Alves, o "Caçula", condenado à inelegibilidade por oito anos, afirma ter presenciado negociação entre Furlan e integrantes do crime organizado, envolvendo entrega de dinheiro em troca de apoio político e acesso a áreas dominadas por criminosos nas eleições de 2024.
Já investigação da Polícia Civil revelada pela CNN Brasil aponta que ao menos 12 pessoas ligadas à facção Família Terror do Amapá (FTA), ligada ao PCC, ocuparam cargos na Prefeitura de Macapá entre 2021 e 2026, incluindo Jesaias Silva e Silva, ex-subsecretário de Zeladoria preso na Operação Herodes, e Amanda Camila Pimentel, apontada como liderança histórica da facção. Para a corporação, as contratações indicam "a infiltração do crime organizado no poder público macapaense". Furlan nega qualquer vínculo com organizações criminosas e atribui as acusações a perseguição política.











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