Fim da escala 6×1: deputada do AP foi a única amapaense a assinar proposta que atrasa em 10 anos a vida do trabalhador
Aline Gurgel foi a única parlamentar do Amapá em Brasília a assinar a proposta que adia em 10 anos o fim da escala 6x1, atrasando pelo mesmo período a vida do trabalhador. Ela já havia votado - junto a Vinícius Gurgel (PL), o ex-deputado André Abdon (PP) e Acácio Favacho (MDB) - a favor da PEC 3/2021, proposta altamente impopular conhecida como PEC da Blindagem, que blindava parlamentares federais de serem investigados pelo STF. Aprovada na Câmara dos deputados por 314 votos, a PEC da Blindagem foi enterrada no Senado sob o comando de Davi Alcolumbre (União/AP) justamente por não agradar os eleitores.

Um bloco formado por mais de 170 deputados federais — incluindo a amapaense Aline Gurgel (União-AP) e outros nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), Bia Kicis (PL-DF), Ricardo Salles (NOVO-SP) — articula um plano contra o trabalhador brasileiro para atrasar em uma década o fim da escala 6×1. A estratégia, que reúne parlamentares da direita e do Centrão, está detalhada em duas emendas apresentadas à Comissão Especial da Câmara que analisa a PEC 221/2019, proposta que prevê dois dias consecutivos de descanso semanal e redução da jornada de 44 para 40 horas, beneficiando os trabalhadores.
As emendas, ambas protocoladas por deputados do PP, vão além do atraso. Elas abrem brechas para jornadas superiores em setores considerados “essenciais”, ampliam a negociação individual entre empresas e trabalhadores, e condicionam a redução da carga horária à aprovação de leis complementares futuras — na prática, um entrave extra para a medida atrapalhar e atrasar a vida do trabalhador.
Uma das propostas, do deputado Sérgio Turra (PP-RS), vincula a nova jornada ao cumprimento de metas de produtividade nacional e permite acordos individuais que podem superar o limite constitucional em até 30%. A outra, de Tião Medeiros (PP-PR), cria exceções amplas para atividades “essenciais”, que poderiam seguir com até 44 horas semanais mesmo após a aprovação da PEC. Ambas as emendas também favorecem micro e pequenas empresas com regras diferenciadas.
Segundo a imprensa nacional, membros da comissão que pediram anonimato admitiram que parte das flexibilizações defendidas por entidades patronais e parlamentares da direita e do centrão já está sendo considerada nas negociações do relator. Entre os possíveis acordos estão regras de transição mais longas para alguns setores e mecanismos ampliados de negociação coletiva — pontos que parlamentares parlamentares defensores do fim da escala 6x1 rejeitam por esvaziarem o espírito da PEC.











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