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Demitido por compra de votos, irmão de Furlan reassume associação do MP/AP

20 de ago.
3 min de leitura

Defesa de João Paulo Furlan alega que as “provas” contra o ex-promotor são “ilícitas”, mas não nega que ele tenha cometido a compra de votos que beneficiou seu irmão em 2020. As provas foram decisivas para decisão do CNMP.



Mesmo após ser demitido do Ministério Público do Amapá por decisão unânime do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o ex-promotor João Paulo de Oliveira Furlan reassumiu o comando da Associação do Ministério Público do Estado do Amapá (AMPAP) .


A decisão do CNMP, tomada por 11 votos a 0 no dia 6 de agosto de 2026, aplicou a pena máxima ao promotor, que foi acusado de participar de um esquema de compra de votos para beneficiar a campanha do irmão, Antônio Furlan (PSD), à Prefeitura de Macapá nas eleições de 2020 .


O esquema eleitoral


Segundo as investigações da Polícia Federal, o esquema de compra de votos no segundo turno das eleições de 2020 em Macapá teria operado por meio da distribuição de cestas básicas, abastecimento de combustível e pagamentos em dinheiro que variavam entre R$ 10, R$ 20 e R$ 100 .


A peça-chave das investigações foi o celular de Gleison Fonseca da Silva, motorista identificado como responsável por distribuir dinheiro e material de campanha de Dr. Furlan. Em mensagens interceptadas pela PF, João Paulo Furlan aparece orientando a entrega de cestas básicas .


O Ministério Público Eleitoral do Amapá denunciou 14 pessoas pelo esquema, incluindo o então candidato a prefeito e seu irmão promotor .


A demissão e o retorno à associação


O Processo Administrativo Disciplinar (PAD) concluiu que Furlan praticou condutas incompatíveis com o exercício do cargo de promotor de Justiça . Ele já estava afastado das funções desde o início de 2026 .


Mesmo afastado, João Paulo Furlan tomou posse como presidente da AMPAP em março de 2026, em cerimônia que contou com a presença do irmão ex-prefeito . Na época, ele argumentou que a associação é uma entidade privada e que não há proibição no estatuto para que exerça o cargo mesmo estando afastado .


Após a demissão pelo CNMP, na última segunda-feira, 17 de agosto, João Paulo Furlan comunicou formalmente ao Conselho Deliberativo e Fiscal da entidade seu retorno à presidência, justificando o encerramento do período de afastamento temporário que havia requerido .



A defesa do ex-promotor já informou que vai recorrer da decisão em todas as instâncias. Os advogados alegam que a prova que deu origem ao processo — obtida de um celular acessado pela polícia antes de autorização judicial — já foi considerada ilícita pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá, pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo próprio CNMP, mas em nenhum momento nega a participação direta do ex-promotor na compra de votos que beneficiou seu irmão em 2020, atitudes consideradas incompatíveis com o cargo que ocupava.


Contexto político


A demissão ocorre em um momento em que a família Furlan enfrenta várias investigações federais por corrupção durante a gestão de seu irmão, Dr. Furlan, que afastado do cargo de prefeito e posteriormente renunciou ao mandato, sendo acusado pelo Ministério Público Eleitoral de renunciar para fugir do procede cassação na Câmara de Macapá. Dr. Furlan corre o risco de ter sua candidatura indeferida.


João Paulo Furlan se torna o primeiro promotor de Justiça do MP-AP a ser demitido por decisão do CNMP . A decisão, porém, não atinge diretamente a candidatura de seu irmão, que segue como pré-candidato ao governo do Amapá .

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