Criança de dois anos foi abandonada por mãe durante Expofeira e acolhida em abrigo; MP-AP alerta para riscos
Menina foi deixada com um desconhecido sob promessa de retorno rápido, mas mãe não voltou; caso ocorreu no dia 15, entre os 38 registros de crianças perdidas nos nove dias de evento.

Uma ocorrência emblemática marcou os atendimentos do Ministério Público do Amapá (MP-AP) durante a Expofeira 2026: uma criança de apenas dois anos de idade precisou ser encaminhada ao Abrigo Ciã Katuá após os pais não serem localizados. O caso aconteceu no dia 15, quando a menina foi levada ao ônibus da Ouvidoria por um rapaz que disse ter recebido a criança da própria mãe — ela teria pedido que ele cuidasse da filha por instantes enquanto ia a uma lanchonete, mas nunca mais retornou.
Segundo a assistente social Séfora Rôla, que coordenou o acolhimento durante os nove dias de feira, o homem aguardou por mais de duas horas e, diante da ausência da mulher, buscou ajuda no posto do MP-AP. "A mãe deixou a menina com um desconhecido, informando que iria em uma lanchonete e disse que já voltaria. Passaram-se mais de duas horas e como ela não retornou, o homem foi até o nosso ônibus pedir ajuda, mas a mãe não apareceu. É preciso ter cuidado redobrado com crianças", alertou a profissional.
Como os responsáveis não foram encontrados no ambiente da feira, a equipe acionou o protocolo de acolhimento institucional, encaminhando a criança ao abrigo Ciã Katuá. O caso ilustra a gravidade de situações que, embora pontuais, acendem o sinal de alerta para os riscos a que menores estão expostos em meio a multidões.

Ao todo, 38 crianças e adolescentes que se perderam dos responsáveis receberam atendimento das equipes do MP-AP durante os nove dias da Expofeira 2026, no Parque de Exposições da Fazendinha. Os casos chegaram ao ônibus da Ouvidoria por meio do Comissariado de Menores, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar ou da própria população. A atuação ocorreu em parceria com os Conselhos Tutelares de Macapá e Santana.
Posicionado próximo à entrada da feira, o ônibus funcionou como ponto de atendimento e apoio à rede de proteção, com equipes preparadas para acolher situações envolvendo crianças e adolescentes. Na maioria das ocorrências, os responsáveis foram localizados e as crianças entregues com segurança às famílias.
Além dos casos de desaparecimento, as equipes também atenderam situações relacionadas ao trabalho infantil, identificadas pela equipe de abordagem social da Secretaria Municipal de Assistência Social de Macapá (Semas), que realizou os encaminhamentos necessários junto à rede de proteção.
O promotor de justiça Miguel Ferreira (foto acima), coordenador-geral dos Centros de Apoio Operacional do MP-AP, destacou o balanço positivo da ação: "Foram quase 40 casos registrados. Todos, felizmente, com um desfecho favorável", afirmou, ressalvando o episódio que exigiu acolhimento institucional. Ele avalia como fundamental a integração entre as instituições, especialmente em eventos de grande concentração popular. "A atuação durante a Expofeira mostrou a importância da integração entre as instituições que integram a rede de proteção. O atendimento no próprio local permitiu uma resposta rápida diante de situações que exigiram acolhimento, localização de familiares e encaminhamento aos serviços responsáveis", finalizou.












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