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Caçambeiros protestam por pagamentos atrasados e empresa devedora é investigada pela PF por repasse suspeito de R$ 2,6 milhões

  • há 19 horas
  • 2 min de leitura


Na manhã desta quarta-feira (29), um grupo de motoristas de caminhões-caçamba realizou um protesto em frente à Prefeitura de Macapá para cobrar o pagamento de faturas vencidas. Eles afirmam ter prestado serviços para a Top Construções e Serviços Ltda. — contratada pela gestão de Furlan — mas seguem sem receber pelos trabalhos executados.


A manifestação, que paralisou servidores e chamou a atenção de quem circulava pela região, ocorre em meio a um cenário delicado: a Top Construções é alvo de investigação da Polícia Federal por um repasse milionário feito pela Prefeitura de Macapá em circunstâncias consideradas atípicas pelos órgãos de controle.


Empresa recebeu R$ 2,6 milhões horas após afastamento de Furlan


A Top Construções ganhou destaque no Amapá depois que se tornou público que recebeu cerca de R$ 2,6 milhões da prefeitura apenas oito horas após o afastamento do então prefeito Antônio Furlan e do vice-prefeito Mário Neto, em março deste ano. O pagamento foi revelado inicialmente pelo Gabinete de Emergência e passou a integrar o inquérito da PF que apura possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos municipais.


A velocidade da transação levantou suspeitas entre os auditores e é um dos pontos centrais da operação em curso.


Empresa com cadastro amplo e filial recente


Outro dado que chama atenção é o perfil da contratada. A filial da Top Construções em Macapá foi aberta em 16 de janeiro de 2026 — pouco mais de dois meses antes do pagamento milionário. Embora o nome sugira atuação na construção civil, o cadastro na Receita Federal indica como atividade principal o comércio varejista de artigos de papelaria, com dezenas de atividades secundárias que incluem engenharia, urbanização, locação de máquinas, restaurantes, informática, monitoramento eletrônico, fabricação de alimentos, comércio de bebidas e serviços administrativos.


Repasse é analisado pela PF e motivou afastamento de agentes públicos


O pagamento à empresa integra o conjunto de fatos que levaram o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a determinar o afastamento cautelar de Furlan e Mário Neto. Na decisão, Dino apontou indícios de fraude em contratos públicos e ressaltou a necessidade de retirar os investigados do comando administrativo para evitar interferência na coleta de provas. Posteriormente, o afastamento de Mário Neto foi prorrogado por prazo indeterminado, a pedido da PF, que alertou para a persistência dos riscos à apuração.


Trabalhadores cobram solução enquanto investigação avança


Enquanto a PF aprofunda as investigações, os caçambeiros dizem ser os que mais sofrem com a situação. Segundo eles, os serviços foram prestados normalmente, mas os valores não foram quitados pela Top Construções — o que motivou o protesto como última alternativa para pressionar pelo recebimento.


Até o fechamento desta reportagem, a Top Construções não havia se posicionado sobre a cobrança dos prestadores, e a Prefeitura de Macapá também não comentou a manifestação. A empresa não é acusada criminalmente neste momento, e os fatos relacionados ao repasse de R$ 2,6 milhões seguem sob análise da Polícia Federal.

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