Amapá perde Humberto Moreira: ícone do jornalismo e da música deixa legado de seis décadas
Comunicador e músico morre aos 76 anos, deixando uma trajetória que se confunde com a própria história da comunicação amapaense

O Amapá amanheceu de luto neste 27 de julho de 2026 com a partida de Humberto da Costa Moreira, um dos mais completos e importantes nomes da música, do jornalismo e da comunicação do estado. Nascido em 8 de maio de 1950, no tradicional bairro do Trem, em Macapá, Moreira construiu ao longo de quase 60 anos uma carreira que atravessou gerações e se consolidou como referência em múltiplas frentes: rádio, televisão, jornal impresso e, sobretudo, na música, onde encontrou o veículo mais potente para difundir a cultura amapaense e dialogar com o universo.
Filho dos pioneiros Piloto Moreira e Dulce Moreira (in memoriam), Humberto deixou seis filhos e uma legião de admiradores. Sua formação teve início nas escolas paroquiais Padre Dário e São José, completando o ginásio no Instituto de Educação do Amapá (IETA). Em 2006, já com vasta experiência prática, graduou-se em Jornalismo pela Faculdade Seama, coroando academicamente uma trajetória vivida com intensidade desde a adolescência.
A estreia nos microfones aconteceu cedo. Em 1961, aos 11 anos, Humberto já se apresentava como cantor no programa de auditório Clube do Guri, da Rádio Difusora, um dos maiores sucessos de audiência dos anos 1960. Seis anos depois, integrou o conjunto musical Os Joviais, fundado por Humberto Santos na Tropa de Escoteiros Veiga Cabral. No mesmo ano de 1967, foi aprovado em teste para a equipe esportiva da Rádio Difusora e, em 5 de setembro, estreava como narrador esportivo – o primeiro de muitos capítulos de uma história que o levaria a cobrir eventos em praticamente todos os estados brasileiros.
Na música, sua versatilidade o levou a integrar grupos que marcaram época: Os Cometas (a convite de Walfredo Costa, em 1968), Os Milionários R5 (de Michel Abraão, ainda naquele mesmo ano) e, em 1978, Os Setentrionais, com o qual gravou um compacto duplo. Foi na música que Humberto mais viajou – não apenas geograficamente, mas também culturalmente, levando e trazendo influências que enriqueceram a cena local.
Paralelamente, sua atuação no jornalismo impresso começou na década de 1970, com artigos esportivos na página do Amapá do jornal A Província do Pará. Passou ainda por Jornal do Dia, A Gazeta e Folha do Amapá. Em 1975, integrou a primeira equipe da TV Amapá, onde atuou como apresentador esportivo, âncora de telejornal e chefe do Departamento de Jornalismo. Na mesma época, construiu carreira na Radiobrás, integrando a equipe da Rádio Nacional, onde mais tarde ascenderia à gerência.
Seu talento ultrapassou fronteiras. Recebeu convites para atuar em emissoras de outros estados, como a Rádio Liberal, de Belém. Cobriu a Copa América pela Rede Católica de Emissoras, sob coordenação da Rádio Difusora de Goiânia, e fez história ao transmitir ao vivo, diretamente do Japão, as finais da Copa Toyota, com os confrontos entre Vasco da Gama e Real Madrid, e Palmeiras e Manchester United. Também esteve à frente da cobertura jornalística do naufrágio do barco Novo Amapá, em 1981, um dos episódios mais trágicos da navegação local.
No início dos anos 1990, deixou a TV Amapá para integrar a equipe do SBT. Como gerente da Rádio Nacional, participou ativamente da criação da primeira emissora FM do estado, a Nacional FM, posteriormente transformada na Antena 1. Trabalhou ainda na Cidade FM, Equatorial FM e na própria Antena 1. Na comunicação institucional, foi assessor do Governo do Estado e da Prefeitura de Macapá, diretor da Rádio Marco Zero e assessor do senador João Capiberibe.
Com quase seis décadas de contribuição ininterrupta, Humberto Moreira deixa um legado que vai além da técnica ou da notícia: ele ajudou a forjar o radiojornalismo, o telejornalismo e a cobertura esportiva no Amapá, e sua voz permanecerá viva na memória afetiva de quem acompanhou sua trajetória. O estado perde um de seus maiores comunicadores, mas ganha, para sempre, uma história que inspira.
*Por Renivaldo Costa/Jornalista e Memorialista











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