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Abandonado pela gestão Furlan, aterro sanitário de Macapá virou lixão; visita de autoridades define soluções para o local

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura


Galpão de triagem construído e nunca entregue, catadores em situação degradante e ausência de manutenção básica: o retrato do descaso que agora cobra solução urgente.



O que deveria ser um aterro sanitário controlado se transformou, na prática, em mais um lixão da capital. A constatação veio na última sexta-feira (17), durante vistoria conjunta da Prefeitura de Macapá e do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), que expôs as marcas do abandono herdado da gestão Furlan.


Entre os achados da inspeção, um dos exemplos mais emblemáticos do descaso é um galpão coberto, erguido há anos por uma empresa terceirizada especificamente para a triagem de materiais recicláveis. A estrutura, porém, jamais foi formalmente entregue ao município e permanece fechada, sem função, enquanto catadores trabalham a céu aberto em meio aos resíduos.


A comitiva técnica também percorreu a área onde atuam os membros da Associação dos Carapirás. O relato dos trabalhadores revelou uma rotina de dificuldades: falta de equipamentos de proteção, infraestrutura inexistente e ausência de políticas públicas voltadas à valorização desses profissionais, que sustentam a reciclagem na cidade com esforço próprio.


O cenário de degradação do aterro de Macapá reflete um problema estrutural antigo. Em outras regiões do estado, o MPF já acionou a Justiça contra situação similar, como no aterro próximo à Comunidade Quilombola de Ilha Redonda, onde se verificou racismo ambiental com lixo a céu aberto e chorume sem tratamento — um espelho do que se vê agora na capital.


Diante do quadro crítico, a vistoria definiu um mutirão para agosto como primeira medida concreta. A força-tarefa terá como missão mapear os problemas estruturais, identificar as intervenções prioritárias e propor soluções que, desta vez, não fiquem apenas no papel. A promessa é que o trabalho inclua melhorias efetivas para os catadores e para a infraestrutura do local.


A Prefeitura de Macapá foi procurada para detalhar o cronograma do mutirão e as ações previstas, mas ainda não se manifestou. O histórico de promessas não cumpridas, no entanto, acende um alerta: a população e os trabalhadores do aterro aguardam que agosto não seja apenas mais um capítulo de espera em meio ao lixo acumulado por anos de gestão negligente.

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