O que leva a Petrobras a cobiçar tanto a costa do Amapá?
- Fernando França

- 20 de out.
- 2 min de leitura

O que tem a Margem Equatorial brasileira, faixa que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, que tornou-se uma das regiões mais cobiçadas pela Petrobras e ao mesmo tempo chama tanto a atenção de ambientalistas? a estatal vê na área uma nova e promissora fronteira de exploração de petróleo e gás natural, comparável ao potencial de regiões vizinhas que já revolucionaram a produção mundial de energia, como a Guiana e o Suriname.
Estudos da Petrobras indicam que a formação do subsolo na costa norte do Brasil é semelhante à das bacias guianenses, onde grandes reservas de petróleo leve — de alta qualidade e fácil refino — foram descobertas nos últimos anos. Essa semelhança reforça a expectativa de que a Margem Equatorial esconda grandes volumes de óleo ainda inexplorados, capazes de sustentar a transição energética no Brasil pelos próximos 50 anos, segundo a própria estatal.
De acordo com estimativas produzidas pela Petrobras, é possível haver no bloco FZA-M-059, na costa do Amapá, mais de 10 bilhões de barris de petróleo. O Ministério de Minas e Energia assegura que a exploração desse bloco é importante porque sem ele o Brasil precisaria importar petróleo a partir de 2030.
Além do potencial técnico, há uma motivação estratégica. Hoje, a maior parte da produção da Petrobras vem do pré-sal, que começa a atingir o estágio de saturação, embora a reserva Brasil seja de 45% de sua matriz energética. Assim, a empresa precisa diversificar suas frentes de exploração para garantir a reposição de reservas e manter o ritmo de investimentos no médio e longo prazo. Nesse contexto, a Margem Equatorial surge como uma aposta decisiva para o futuro da estatal e para a segurança energética do país.
A expectativa é que a exploração nessa faixa traga também impactos econômicos significativos para o Amapá, com novas receitas em royalties, empregos e infraestrutura portuária e logística. No entanto, o tema vem sendo acompanhado de forte polêmica ambiental. A região é próxima à Foz do Rio Amazonas, considerada um ecossistema sensível e único no planeta, além de elevada biodiversidade.

Entidades ambientalistas e o próprio Ibama - que vinha negando a licença de prospecção - levantam preocupações com os riscos de vazamentos e a falta de estudos mais aprofundados sobre os impactos na fauna marinha e nas comunidades costeiras. Mas para o ambientalista Carlos Nobre (foto acima), a preocupação maior é com o aquecimento global, cuja queima de combustíveis fósseis põe em risco o clima no planeta. A controvérsia colocou o tema no centro de uma disputa política e institucional entre setores do governo e grupos de defesa do meio ambiente.
Nessa segunda-feira, 20, a Petrobras anunciou que obteve, enfim, a liberação do Ibama para iniciar as pesquisas sobre o quantitativo e a quantidade do petróleo na costa do Amapá. A expectativa é que a petroleira comece a produzir petróleo dentro de 5 a 7 anos a partir do início das pesquisas.












Comentários