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Fala do vice-governador do Amapá, Teles Jr. (PDT), sobre COP 30 gera desconforto dentro do governo estadual

  • Foto do escritor: Fernando França
    Fernando França
  • 10 de nov.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 10 de nov.


“Muita gente importante dentro do governo ficou indignada com essa declaração bastante infeliz”, disse um assessor direto do governador.


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A fala do vice-governador do Amapá, Teles Jr. (PDT), durante um podcast e publicada em suas redes sociais falando em boicotar a COP 30 por considerar que o evento “não vai discutir os problemas reais da Amazônia” - como asfaltamento, emprego, renda, tráfico de drogas, facçoes criminosas - acabou gerando desconforto e indignação dentro do governo do estado e, principalmente, entre a delegação amapaense com mais de 400 integrantes entre cientistas, pesquisadores, professores, estudantes, quilombolas, indígenas, empreendedores da bioeconomia, startups, empresários, representantes da sociedade civil. A delegação amapaense é coordenada pelo governo por meio da Fundação de Amparo a Pesquisas, uma das instituições de apoio científico mais importantes do Amapá da Amazônia. A declaração de Teles Jr. foi publicada em 10 de outubro, mas só repercutiu nesse fim de semana que anteceu a COP.


A opinião de Teles Jr. foi também bastante criticada por esta estar desconectada da realidade ambiental, soar como negacionismo e, principalmente, estar distante do que pensa o governo de Clécio Luís sobre a crise climática e a COP 30. “É um equívoco grave de compreensão cognitiva sobre o papel de uma conferência climática”, disparou um secretário de estado que preferiu manter o anonimato para não agravar o desconforto. “Esses problemas (citados por Teles Jr.) são de responsabilidade do Poder Executivo estadual e federal e do Congresso Nacional”, completou outro agente do governo.


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Delegação do Amapá durante viagem de navio a Belém.


COP 30

A Conferência das Partes (COP), em sua trigésima edição (30), é um espaço global para discutir exclusivamente mudanças climáticas, transição energética e preservação ambiental — temas que têm impacto direto na vida das pessoas, inclusive, de quem mora no Amapá. A seca histórica pelo segundo ano consecutivo no município de Tartarugalzinho - onde foi decretado situação de emergência, a salinização do arquipélago do Bailique, o ciclone que arrasou a cidade de Rio Bonito do Iguaçú, no interior no Paraná no último sábado, 8, a tragédia ambiental/climática de Porto Alegre em 2024, a seca histórica no Amazonas que assustou o mundo todo, são alguns dos exemplos citados sobre a crise climática.


Vale lembrar que a COP não é um programa de obras muito menos fórum de segurança pública. Quem deve discutir asfaltamento, desigualdade e políticas de desenvolvimento regional é o governo federal por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, hoje comandado por Waldez Góes (PDT), ex-governador do Amapá. O papel desse ministério, é justamente o de reduzir as desigualdades regionais no Brasil por meio da formulação e execução de políticas públicas integradas.


Vale lembrar ainda, que o Amapá já viveu experiências ruins, passou por um período de estagnação e retrocesso bastante doloroso durante as duas primeiras décadas deste século, quando assistimos ao agravamento das desigualdades sociais, o avanço da pobreza, a chegada das facções criminosas, aumento da dependência do Estado e garante concentração de renda nas mãos de poucos. Chegamos na pandemia da Covid-19 em 2020 com mais de 60% da população inscrita no CadÚnico, dependendo de alguma complementação de renda para sobreviver.


Portanto, ao invés de culpar a COP por não resolver problemas que cabem aos grupos políticos enfrentar, como o governador Clécio Luís vem fazendo no Amapá - abrindo debates e buscando viabilizar recursos, reestruturando o sistema de gestão, fazendo concursos, priorizando saúde e segurança pública, construindo obras importantes, enfim, recuperando o Amapá, deveríamos abrir um debate justo e verdadeiro sobre o desenvolvimento do estado.


Ao desqualificar e boicotar a COP 30, a fala do vice-governador deixa a sensação de boicote também à participação do Governo do Amapá no evento - onde foram investidos consideráveis recursos públicos em transporte, hospedagem, alimentação, de quem foi participar dos debates que ocorrem em paralelo a cúpula do clima, oportunidades importantes, por exemplo, para a bioeconomia amapaense e o seu desenvolvimento.


Essas pessoas que se encontram  em Belém, na COP 30, estão apresentando o Amapá e suas florestas ao mundo, discutindo as demandas locais, absorvendo conhecimentos e buscando parcerias, e quem sabe, investimentos para o Amapá continuar mantendo sua floresta em pé e ajudar a desenvolver e consolidar a sua economia. E seria lá que o vice-governador do Amapá, como agente público, deveria estar também, cumprindo com uma responsabilidade pública, a mesma de todos que estão na COP 30 ou não, mas que buscam de alguma forma contribuir com a melhoria da vida no planeta e nas cidades de forma sensata e sustentável. O vice-governador Teles Jr. perdeu uma grande oportunidade.

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