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Crise da MacapáPrev agrava desgaste de Furlan e põe em xeque sua candidatura ao governo do AP

  • Foto do escritor: Fernando França
    Fernando França
  • 28 de out.
  • 3 min de leitura

Até que ponto vale a pena renunciar o mandato de prefeito de Macapá para disputar a eleição de governador em 2026 e correr o risco de perder?O que vale mais, uma andorinha na mão ou duas voando.


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O prefeito de Macapá, Antônio Furlan, vive o momento mais delicado desde que assumiu o comando da capital. A revelação de que o Instituto de Previdência Municipal, o MacapáPrev, está à beira do colapso financeiro, acendeu o sinal vermelho para servidores e aposentados da rede pública municipal. O rombo na MacapáPrev pode chegar a mais de R$ 220 milhões. A situação é gravíssima, depois que veio à tona a informação de que o caixa da instituição caiu de R$ 176,8 milhões em 2023 para R$ 39 milhões em outubro de 2025.


O Ministério da Previdência Social aponta que a gestão de Furlan deixou de repassar à MacapáPrev mais de R$ 84 milhões de contribuições patronais. Essa é uma situação que ameaça não apenas o futuro de aposentados e pensionistas, mas também a estabilidade política do prefeito — já pressionado por várias investigações em andamento da Polícia Federal, e que põe em xeque sua candidatura ao governo do Estado em 2026.


O rombo da MacapáPrev é uma “bomba” que, nos bastidores, aliados políticos reconhecem como um “golpe mortal” na intenção de Furlan de candidatar-se ao governo em 2026, cuja gestão vem enfrentando sucessivas denúncias e investigações da Polícia Federal.


Foram pelo menos três operações da Polícia Federal ao longo de sua gestão. A mais recente, Operação Paroxismo, deflagrada em setembro de 2025, investiga fraudes em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em contratos de R$ 69 milhões destinados à construção do Hospital Municipal de Macapá. Virou escândalo nacional.


Durante a ação, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa do prefeito, e a PF identificou saques irregulares em espécie que somam R$ 9 milhões. O inquérito tramita com acompanhamento da Procuradoria-Geral da República (PGR), o que piora a situação de Furlan.


Em novembro de 2021, foi deflagrada a Operação Carburante que desmantelou um esquema que teria desviado mais de R$ 1 milhão de recursos destinados ao combate à pandemia da Covid 19. No ano seguinte, julho de 2022, outra operação da PF mirou um esquema de compra de votos ocorrido nas eleições de 2020. A PF apontou que o irmão do prefeito, o promotor de Justiça João Furlan, teria sido o principal operador financeiro da campanha. É um processo complexo, que chegou a ser arquivado e depois reaberto por determinação do Tribunal Regional Eleitoral, que alegou que o processo foi arquivado sem análise de provas importantes.


Há também investigações em andamento relacionadas ao pagamento de propinas na obra da Praça Jacy Barata, além de fraudes em licitações e falsificações de documentos na Companhia de Transito e Transporte Público (CTMac) envolvendo Furlan no esquema.


Desgaste político

Com a crise da MacapáPrev, as investigações federais e a escassez de recursos, há quem diga que a popularidade de Furlan chegou ao limite. A última pesquisa de intenção de votos para 2026, divulgada pelo Instituto Big Data, apresenta um cenário favorável a Furlan 65% nas intenções de votos, porém restrito ao contexto atual.


A sucessão de escândalos, denúncias e investigações federais, somada à a crise da MacapáPrev provocou um sentimento de apreensão no funcionalismo público estadual — uma das principais e mais influentes. E tudo isso vindo à tona num contexto eleitoral é um prato cheio para seus adversários — e põe, sim, em risco o ambicioso projeto de poder de Furlan, podendo levá-lo à derrota e deixando-o sem mandato, vulnerável — ele e seus irmãos — às intempéries do tempo. Ou seja, o que os bastidores dizem é que o risco político e jurídico é alto demais para pôr a ambição em primeiro lugar.

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