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Cacau do Cassiporé, no Amapá, busca selo de Indicação Geográfica com apoio do Sebrae

  • há 13 minutos
  • 2 min de leitura

Produto cultivado em áreas de várzea na fronteira com a Guiana Francesa pode se tornar a terceira IG do estado, agregando valor e protegendo saberes tradicionais



Macapá/AP – Às margens do rio Cassiporé, no extremo norte do Amapá, um cacau nativo cultivado em terras alagadas pela cheia amazônica começa a trilhar o caminho para se tornar referência mundial de origem. Na última terça-feira (9), produtores, instituições e o Sebrae Amapá deram o pontapé inicial para a estruturação da Indicação Geográfica (IG) do Cacau do Cassiporé – um reconhecimento oficial que atesta a qualidade e a singularidade do produto ligado ao seu território.


O cacau é plantado no distrito de Vila Velha do Cassiporé, a cerca de 137 km da sede do município de Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa. A região abriga famílias ribeirinhas, quilombolas e indígenas, que associam saberes tradicionais ao cultivo em áreas de várzea. Durante o inverno amazônico, a subida das águas dos rios inunda os cacaueiros, renovando naturalmente o solo e conferindo características únicas ao fruto.


“Essa dinâmica da natureza faz com que o nosso cacau de várzea tenha características próprias, que não existem em nenhum outro lugar do mundo”, afirma João Dorismar da Paixão, presidente da Associação do Cacau do Cassiporé. “Esse é um momento histórico para Oiapoque e para todos os produtores.” (foto a baixo)



Diagnóstico começou em 2023


De acordo com Mara Rida, gestora estadual do projeto de IG do Sebrae Amapá, o trabalho de estruturação teve início em 2023 com um diagnóstico técnico que identificou o potencial da produção local. Agora, a iniciativa avança com a formação de um comitê gestor, capacitação dos envolvidos e levantamento de dados para subsidiar o pedido ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).


A Indicação Geográfica é um selo de propriedade intelectual que reconhece a reputação e a identidade de um produto vinculadas a um local específico. Exemplos famosos incluem o Champagne (França), o Queijo Canastra (Minas Gerais) e, já no Amapá, o Açaí do Bailique – segunda IG do estado, conquistada em abril de 2025. O Abacaxi de Porto Grande foi o primeiro, reconhecido em novembro de 2024.



Singularidade vai além do sabor


O consultor Ton Lugarini, especialista em Indicações Geográficas, destaca que o diferencial do cacau do Cassiporé não está apenas na qualidade do fruto, mas na interação entre natureza e cultura. “Fatores como o regime das marés, o solo, a biodiversidade e o modo de cultivo formam um conjunto único”, afirma.


Entre os benefícios esperados com a IG estão:


· Proteção contra o uso indevido do nome do território;

· Valorização dos produtos da sociobiodiversidade;

· Fortalecimento da organização coletiva dos produtores;

· Incentivo ao desenvolvimento sustentável;

· Ampliação da visibilidade nos mercados nacional e internacional.


Se concedido, o Cacau do Cassiporé se tornará a terceira Indicação Geográfica do Amapá – todas apoiadas pelo Sebrae – e abrirá novas portas para a economia das comunidades tradicionais da região do Oiapoque.



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