Ataques coordenados a Randolfe miram a eleição para o Senado e seguem estratégias de campanha eleitoral
- Fernando França

- 2 de nov.
- 2 min de leitura

A intrigante publicação da Revista Veja, deste sábado (1º), trazendo números de intenção de votos para o Senado no Amapá, com a manchete “A dificuldade de Randolfe para renovar seu mandato”, é vista por analistas e aliados do senador como parte de um movimento político orquestrado para influenciar a opinião pública.
A escolha da imagem — em que Randolfe aparece com os braços estendidos, como quem reclama, ou clama, com expressão tensa — reforça a ideia de desgaste e enfraquecimento, compondo um produto de mídia que, mais do que informar, busca induzir uma visão negativa sobre o parlamentar.
Juntas, a manchete e a imagem criam uma narrativa visual e textual que leva o leitor a acreditar que Randolfe Rodrigues (PT-AP) está em “queda livre” nas pesquisas, leitura genérica fortalecida pela ausência de dados opostos e de debates. Dessa forma, a estratégia de comunicação política de Furlan segue em campo aberto, produzindo resultados positivos e previsíveis, sem qualquer reação estratégica de seus adversários.
A divulgação de pesquisas de intenção de voto, tanto para o Governo quanto para o Senado, segue um padrão de calendário de mídia: elas costumam ser publicadas sempre que algo ameaça a imagem de Furlan ou em datas de entorno a inaugurações e eventos festivos, favorecendo integramente a estratégia desenvolvida.
Isso ocorre, por exemplo, diante das denúncias de desvios de recursos do Instituto de Previdência de Macapá (MacapáPrev), caso que mexeu visivelmente a imagem do prefeito, e do vazamento de uma investigação sigilosa que aponta Furlan como coordenador de ataques e fake news contra Randolfe e outros adversários, por meio de um suposto “gabinete do ódio” existente na Prefeitura de Macapá, segundo essas investigações.
No levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesse sábado, 1 de novembro, logo após os assuntos citados acima terem vindo à tona em Macapá, mostra que no cenário principal para a disputa ao Senado, Rayssa Furlan alcança cerca de 61,8% das intenções de voto, Lucas Barreto atinge 47,9%, enquanto Randolfe aparece com 40,8% seguido de Waldez Góes (PDT) com 17%. Ou seja, se a eleição fosse hoje, Rayssa Furlan e Lucas Barreto liderariam com folga, enquanto Randolfe enfrentaria “dificuldades” para renovar o mandato, uma narrativa perfeita que vem pautando o debate político das eleições de 2026, valendo não só para o Senado, mas também ao Governo.
Em outras palavras, trata-se de uma sequência de ações que seguem um roteiro estratégico: pesquisa positiva, exposição pública e campanhas digitais de ataque a adversários e de exaltação de Rayssa e Furlan. É uma sintonia de movimentos. Em suma, a coincidência entre a divulgação de pesquisas favoráveis, a agenda de inaugurações e o aumento dos ataques coordenados nas redes sociais, aliado a política de corpo a corpo e o populismo digital de Furlan, seguem livres produzindo seus efeitos e deteriorando a imagem de seus adversários, igual como quem toma sopa.












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