Irmão do prefeito Furlan expõe intimidades de procuradora de Justiça para tentar obstruir processo de investigação
- Fernando França

- há 6 dias
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A Justiça Eleitoral do Amapá rejeitou uma tentativa do promotor de Justiça João Paulo Furlan (foto), irmão do prefeito de Macapá Antônio Furlan (MDB), de afastar a procuradora regional eleitoral Sarah Cavalcanti (foto) de um processo que envolve investigações relacionadas ao aos dois irmãos, João e Antonio Furlan, este último gestor municipal.
No pedido apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AP), o promotor alegou suspeição da procuradora com base em aspectos de sua vida íntima, afirmando que ela teria mantido, no passado, um relacionamento afetivo com um delegado da Polícia Federal responsável pelo inquérito que originou a denúncia e que hoje figura como testemunha no processo.
A estratégia, no entanto, foi rechaçada pelo juiz federal Alex Lamy, que considerou juridicamente inconsistente a tentativa de desqualificação da procuradora. Na decisão, o magistrado destacou que eventuais relações pessoais pretéritas, sem comprovação de vínculo atual ou de interesse direto no desfecho do processo, não configuram motivo legal para declaração de suspeição.

Os irmãos João e Antonio Furlan, acusados pelo MPF de liderarem uma organização criminosa.
O juiz também ressaltou que fotos, vídeos e outros documentos anexados pela defesa, que buscavam demonstrar proximidade entre a procuradora e o delegado, não comprovam parcialidade funcional, limitando-se, quando muito, a indicar convivência social antiga. Além disso, pontuou que o fato de o delegado ter presidido o inquérito e atuar como testemunha não compromete automaticamente a atuação do Ministério Público, cabendo ao Judiciário avaliar a credibilidade dos depoimentos durante o contraditório.
A decisão reforça o entendimento de que a exploração da vida privada de membros do sistema de Justiça, sem elementos objetivos que indiquem interferência no exercício da função pública, não pode ser utilizada como instrumento para travar ou atrasar investigações.
João Paulo Furlan encontra-se afastado das funções por decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em procedimento distinto, que apura sua suposta participação em um esquema de compra de votos em benefício do irmão nas eleições municipais de 2020.











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